Ela fede
Porque não cede
Por causa da senilitude
E da inquietude
Porque fede
Ela não cede
Por causa da insistência
Porque tem demência
Ela cede sim
Porque é o fim
Uma pretensão simples de escrever um pouco e repartir o que penso com quem queira ler e compartilhar.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
Di a a a iD
Um ser humano pratica atos considerados criminosos. Foge e agarra um outro ser humano, que, ao fazer sua refém, utiliza como escudo vivo. Chegam outros seres humanos, que já o perseguiam e a desconversa flui aos soluços, tomando rumo de vida ou morte. A granada que traz consigo pode explodir, matando vários seres humanos e ferindo outros tantos; o pino do artefato é tirado duas vezes e o caso daí não é mais senão de morte, porque não existe mais vida. E, então, um ser humano bem treinado para emergências assim dispara - a cabeça do ser humano é atingida de forma mortal, seca, sem chance de um "ah!". Fim de mais um drama, real, mas que os seres humanos assistentes aplaudem como se estivessem em meio ao espetáculo fátuo no que a realidade se transformou...
domingo, 13 de setembro de 2009
Fra g men to s
A velha era uma verdadeira vaca, daquelas vacas asquerosas, e de que a gente não tem a intenção de se aproximar; aspecto macilento, com aquele falso e dissimulado arzinho de riso, riso amarelado, entorpecido, até amanhecido...; mal encenado, também - riso de uso cotidiano, a enfeiar mais a sua feição, digamos assim, vacuum. E ela não se apercebia do ridículo de insistir no sonho que lhe era exclusivo, sonho besta, portanto, de haver alguma coisa sentimental entre ambos, ou seja, ela e aquele que decidira teimosamente perturbar. A teimosia nada tem de parentesco com a perseverança, pois a teimosia insiste burramente, na fantasia animal, como de uma vaca; insiste tal qual permite a boçalidade em ruminar, só, mais nada. Era, sim, uma vaca, e uma vaca velha e acabada, decrépita. Era...!
domingo, 23 de agosto de 2009
Di a a a iD
A sociedade policialesca e irresponsável em que vivemos, que somos, afinal, de democrática nada tem e socialmente é destroçada, a toda vista! Voltada em sua histórica, atávica mesmo, corrupção, ela se compraz tão-somente no punir, e ainda assim com a seletividade dos hipócritas, cínica qual os pusilânimes. Criminógena e incapaz de resguardar gente, famílias e relações diversas, que poderiam e deveriam ser sadias e produtivas, tal grupelho não previne, mas goza com a persecutio, vive da repressão, a alimentar violência nas urbes mais atoladas de empobrecidos empilhados e campos de injustiças semelhantes, embora boa parte dos miseráveis da cidade tenha tal origem. Ah, a nossa infeliz sociedade, que se perde mais a cada vez que mais uma cadeia é construída...!
domingo, 16 de agosto de 2009
Di a a a iD
O procurador bebeu em excesso e vomitou impropérios. Pediu, já sóbrio, desculpas. O que acontecerá com ele? Nada! A mesma coisa acontece com outros que se dizem "autoridade" - autoridade em quê? Em impunidade? Somos todos, menos eles, os babacas, manés, otários, etc., de um sistema pérfido e doente, que garante para uns o que retira de outros. Não, não somos iguais, nem sonhe com tal coisa! Sustentamos apassivados o sistema que esmaga, que negamos haver, porque nossa dignidade está comprometida e nos refugiamos, acovardados, nús, no odioso e gosmento individualismo que nos acompanha como sobra, nos habita como alma, porque a nossa foi vendida ao demônio da subserviência gentil, calma, com os bons modos de sempre. Que podre isso, e como fede!
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Di a a a iD
Perdemos a noção do coletivo, da cooperação, da comunhão, e dos sentimentos mais nobres, tais como a solidariedade e a generosidade, a piedade e a humildade, assim das atitudes altruístas. Quem ainda hoje é solícito? Em nosso prejuízo primeiramente nos isolamos e achamos encanto inicial em nosso mundinho, encanto a ser desvelado na inteireza que jamais existiu, salvo em nosso tacanho idealismo. Daí à nos rebelarmos é um curto passo, até que, depois de muita negação, a angústia nos alcance e se ponha à nossa frente a mangar, a rir, a irritar-nos o quanto lhe baste! Com esse individualismo, aparentemente incurável e muito mais incentivado do que nos damos conta, ainda nos sufocaremos, e disso só lamento, ao amargor que a ignorância traz, restará.
sábado, 1 de agosto de 2009
Fra g men to s
Fazia primaveras no outono, mas não era triste; e com efeito, sempre dava um jeito de se renovar, de dar a tal da volta por cima... Que coisa! A volta por baixo, pelos lados, não traria o mesmo resultado? O importante não seria sair do lugar? Queria exatamente isso: sair do lugar que ocupava, mas por mais voltas que desse sentia-se vítima de uma paralisia angustiante. Ouvira falar de amor, mas se preocupava com o trabalho e os familiares também, e com o mundo, a vida, as coisas sem sentido, que se revestiam afinal de algum. Não é mesmo? Tinha convicção de que sim e o prazer disso era indescritível; porque a assolação das muitas dúvidas produzia um atroz e iníquo sentimento. Incrível não ter dívidas - não as suportava, para ser mais claro. Claro? Impossível, em se tratando de...!
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