quarta-feira, 7 de maio de 2008

Para mais, para menos

Pergunta: que sabe a boca o beijo? Não vou responder aqui... Melhor buscar algo sobre na letra da deliciosa canção "O Sonho", do Egberto Gismonti. Aí erra-se menos, e errar é melhor que seja para menos mesmo; mas a gente não consegue, ou agarra o pior dos erros pela gola, bem firme: o medo do bem; medo do bem fazer, medo do bem querer, medo do bem doer se for preciso para haver cura, e mais tantos, tantos medos, em idênticos sentido e patamar. Eu também quero morar neste céu e embebido restar neste azul infinito, neste para mais. Então a dialética inevitável, como toda só, com o para menos. Também queria que fosse mais fácil, daria tudo para que o não ter que saber existisse, estivesse à mão, nossas, embora por mim apenas... Contudo, sem eco, talvez, a voz! E uma tênue linha a mais.

sábado, 3 de maio de 2008

Ocre

ocre ocer oecr eocr eorc eroc reoc reco rceo creo croe core
eroc eorc oerc oecr ocer coer core croe rcoe rceo reco erco
ocre ocer oecr eocr eorc eroc reoc reco rceo creo croe core
eroc eorc oerc oecr ocer coer core croe rcoe rceo reco erco
ocre ocer oecr eocr eorc eroc reoc reco rceo creo croe core
eroc eorc oerc oecr ocer coer core croe rcoe rceo reco erco
ocre ocer oecr eocr eorc eroc reoc reco rceo creo croe core
eroc eorc oerc oecr ocer coer core croe rcoe rceo reco erco
ocre ocer oecr eocr eorc eroc reoc reco rceo creo croe core
eroc eorc oerc oecr ocer coer core croe rcoe rceo reco erco
ocre ocer oecr eocr eorc eroc reoc reco rceo creo croe core
eroc eorc oerc oecr ocer coer core croe rcoe rceo reco erco
ocre ocer oecr eocr eorc eroc reoc reco rceo creo croe core

Porque...

Perguntas e mais perguntas, sequiosas, prenhes de ansiedade, para cá e para lá, carregadas, disfarçadas, ocultas, presentes no silêncio, denunciadas por gestos, olhares, tosse, sustos; mas tantas perguntas, insistentes, persistentes, consistentes, inoportunas, indelicadas, fúteis, pertinentes, indiscretas, as que "entregam" mesmo, que iniciam relacionamentos, que dão em divórcio. Haja tanta curiosidade ou o que for, haja perguntas! O mais importante sobre elas, apesar de algumas ficarem aparentemente no ar, é a resposta. Não obstante, uma coisa e outra são a mesma, certo? Sim, posto que tal qual a resposta faz a pergunta, que surge após o ponto (.), a pergunta traz consigo a resposta, que só é pergunta porque separada da resposta ao final pela interrogação (?)... Certo?

terça-feira, 29 de abril de 2008

"Vidícula"

Por que não vivo uma vida de loucuras, de doidices reais, até simpáticas, concretas? Porque, sempre que certinho, mais torto, sempre que bonzinho, mais desastroso, e sempre, até não me suportar e (Deus me livre disso!) não ser suportado... Será daí assim? Para que serve uma vida ridícula, uma vidinha de nada, "vidícula"? Tanta coisa obtida e tantas perdidas, postas de lado, pelos caminhos que mal trilhei, às pressas e por vezes devagar demais, desatento e arrastado por um emaranhado de pontas, dos processos inacabados, de uns pensamentos mancos, daquelas fantasias rotas, muitas delas antes de um brilho que atraía como que por encanto! Onde está o veio da pureza na mais natural manifestação viva da humanidade, com todos os seus erros, ais, e percalços? Onde?

sábado, 26 de abril de 2008

Só!...

É invariavel: nasce-se, vive-se, e morre-se absolutamente só, por mais que um ser humano venha a cercar-se de pessoas e de coisas. Sobram, tão-somente, como fiéis, constantes e eternas companheiras, as reminiscências, nada mais. Ora, aí há solidão ou solitude? Depende de tantos fatores... Pouco importa afinal! Sem nada e sem ninguém, cabe o sujeito voltar-se para si e para o mundo. Para si e sua verdade, para o mundo e sua realidade. Ficam, é certo, a pairar, suas palavras, seus ideais, seus sustos, diários, vespertinos, e noturnos; mas, nas madrugadas da existência, não se permite errar sem pagar um elevado preço - tudo parece desaparecer em instante único e cabal. Anda bem com-um-sigo o mesmo, porque não acontecerá de um outro, qualquer que ele seja!...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Enamoramento

Por que não nos enamoramos? Os franceses até chamam isso de "amizade amorosa", e já houve quem por aqui há tempo quisesse "colorir" a amizade. Com o quê? Sexo?... Por que a casca não é rompida? Por que, se há vazio, resta o carinho esparramado pelo chão frio? Relação "a dois"? Deus está vendo! Vê, e você também o sabe; confesse: o sonho, o pensamento, o olhar, aquele tremor, a doce palpitação, a ansiedade, a fantasia, o desejo. E nós não nos enamoramos...! Por medo? Vergonha? Teimosia? Busca-se o grande amor, o da e para a vida toda (quimera!), e restamos nessa pequena morte infeliz e fétida de irrealizações crônicas, repetitivas, secas. Depois se fala por todo lado de felicidade. Onde ela estaria? Hein? Vamos nos enamorar! Não faltará um valor renegado: a compreensão.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Para bens

Não, nada disso! Disse a você que eles não viriam, e, de fato, estamos sós; mas fique tranqüila, menina, pois passarei seu aniversário com você, bem aqui no escuro, distante, ermo, mesmo sem presentes e homenagens, luz, som, gente de toda a sorte (ou azar!), a imprensa... Por que a revolta (e você sempre foi tão inutilmente revoltada, não é?), minha linda pequena? Linda, sim! Mesmo seu corpinho esquálido, sujo, sem sorriso, cabelo ruim, roupas quais farrapos, eu a vejo linda, apesar dos olhos fixos, arregalados, onde antes, só neles e em sua mania de nunca deixar de brincar, um pouco, às vezes, sonhando, havia radiante luz - a vida. Mataram você, não sua memória; ignoram-na e eu a faço lembrar. Uma amiga a chama para seguir caminho? Vá agora, meu amor!...