terça-feira, 15 de abril de 2008

Corpo

Tantas vezes, e hoje mais que nunca, o corpo importa mais - trabalhado, enfeitado, exposto, dado, maltratado, recolhido, esculpido, retalhado, usado, inutilizado, não importa; de fato, ele não importa, e sim o que ele representa. O corpo em si é para quem possui o encargo de ser nele. Para os outros, num amplíssimo leque, tudo o que ele venha a representar, tudo o que se busque (e daí se encontre, Deus queira!) nele. O que "emana" do corpo, de uma parte dele, que nele não está, mas que atrai e aprisiona? Uma vibração, o calor, o cheiro..., até a voz, o olhar, ou, talvez, um algo de sua disposição indefinível? Por isso, sem enganos, o corpo não importa, nem o que sobre ele incide; o que parece bonito, estético, sensual, sexual (ora, nada contra), (a)parece, apenas, e não está nele!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Fragmento de ficção

Não sei se você lerá isso; vou confiar na intuição de que sim, de que também esse desejo não poderei impedir de aflorar e alcançará bom termo. Quem sabe... Mesmo assim, aí está: nossos dizeres, sejam quais forem, devem ser ditos, ouvidos, atados, trançados e conseqüentes; não há razão para represar tudo o que nos vem à boca, se vem, e acredito que com força e docura vem, para o bem, para aclarar e dar cor. Você não? Estou a me perder num sonho, em fantasia imotivada? Pode até ser; e, se for, então me diga. Deixar de dizer afasta, reprime, recusa, põe abaixo aquilo que, sem dúvida, ao próprio dizente traz paz, dá serenidade. Nós seres humanos, tão complicados, nos esquecemos de nos acalentar e aquecer com amores, amizades, enamoramentos; optamos por calar...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Po e sia

dá a beijos essa boca sua meus
os lábios doces a tocar pôr ter
pressionar deslisar voltar a seus
até sua língua a minha na saliva
suave envolta em cada arfada
do ar que dá mais vida a nossos
corpos vinculados quase nada
vem ao pensamento uns possos
eu preciso o não agüento mais
quero dizer faço uns sussurros
tocantes toques ais simultâneos
loucos roucos de olhares puros
momento intenso de úmida luz

sexta-feira, 21 de março de 2008

Jesus

Surpresa!!! E por que não? Com efeito, nada mais instigante e admirável que a pessoa de Jesus de Nazaré, o Cristo, Nosso Senhor e Salvador. Conquanto abundem as distorções próprias das mais díspares e contraditórias fés (ou falta de), embora as historicidades se confundam e se percam na mais grotesca fossa da imprecisão, existe o Jesus histórico e o da fé (a robusta, autêntica), a principiar por sua maior e mais elevada expressão - Paulo, o Apóstolo dos Gentios. Falta tanto, mas tanto... Essa Igreja que está aí, será que entendeu algo? Ela nem passa perto da dimensão do Reino, este sem atualização mais do que necessária, e que verdadeiramente urge. E os conceitos que lhe são peculiares, então? A reflexão está sem texto, sem comunidade, carente de sua razão toda de existir.

quarta-feira, 19 de março de 2008

O Defensor 2

Além disso, longe, bem longe de compactuar com o acusado, com o delito que este possa ter praticado, com o crescimento da violência e da criminalidade em si, o que o Defensor decente, digno, aquele que honra sua beca faz é impedir que o Estado condene inocentes, puna culpados excessivamente, prenda e processe qualquer um sem uma bastante prova inequívoca, exceda a condenação no tempo, à família do preso, e marque-o para sempre; afinal, que perpetre suas costumeiras sandices, se vingue e faça vingar, ao invés de realizar as todas políticas suficientemente capazes de trazer os índices de práticas ilícitas ao mínimo dos mínimos. O Defensor, assim, a si mesmo defende e a todos os demais que não delinqüiram, que não agiram fora dos limites da Lei Penal.

quarta-feira, 12 de março de 2008

O Defensor 1

Destaquei Defensor no título, e o faço aqui, com maiúscula, e assim porque, mesmo diante da tão crua onda de crescente violência que se abate sobre nós, tal se mostra de premente necessidade: não há condenação criminal legítima sem a melhor defesa possível! E se a defesa não foi a melhor possível, então não houve defesa plena, e a meia-defesa não o é e nunca o será; mera defesa, só pro forma, pode ser um bom auxílio, isso sim, à acusação...! A acusação em si deve ser precisa; já a defesa, só apaixonada. Ambas técnicas, claro: acusa-se em nome do povo (a população organizada politicamente), mas defende-se ante os erros e/ou exageros punitivos do Estado (este materializado na função-pessoa do magistrado), todos ali, sem exceções quaisquer, cidadãos sim!

terça-feira, 4 de março de 2008

Falta

De que você sente falta? Conte sim, sem receio algum. O que escapa, e o que não está aí, senão na lembrança que não desgruda, austera? O que cai? Ah, se eu soubesse e eu nada sei, eu sei disso e é só. Tem-se tempo para refletir sobre isso na crua correria que nos dispomos a enfrentar, como se fôssemos fortes o suficiente a tanto? E falta o quê? Sim, covenhamos que parece pouca coisa e muita ao um único tempo. Estranho isso, e bem estranho mesmo, não é? Que toque a música que eu gosto de ouvir, qualquer uma delas, para que eu pense um pouco, olhos fechados, relaxado, e logo daí me levante, e siga atrás da primeira pulsão passante que me permita o desejo. Estou, e você também, espero, vivo, bem vivo! Tomara que não cesse nunca de faltar... essa falta.