sábado, 17 de maio de 2008

Fikssão

Caído ali no tapete da sala, ele tinha o rosto no chão. Tudo o mais estava em ordem, e assim ficaria até chegarmos; só ele quebrava, com o corpo fora de lugar, o que tanto levara para organizar. Estava finalmente alegre, enfim despojado daquela sua tênue e perigosa melancolia, que nós, seus amigos, conheciamos há tempos - chegara-lhe uma carta, aquilo que já não se escreve mais.... O envelope e seu precioso conteúdo estavam dobrados e bem guardados no bolso da camisa passada no dia anterior, possivelmente. Entramos porque a porta estava entreaberta, e hoje é só ver muito assalto, sequestro, violência! Viramos o corpo. Sorria!!! Chegara sua hora, como se diz. Ele não deixara a vida, mas saíra dela correndo, às pressas, feliz! Não lemos a carta. E prá quê?...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Encontros e desencontros

Encontros e desencontros acontecem; sim, mas nunca são por mero acaso. E eles não importam, pois o que interessa mesmo são os sujeitos neles envolvidos. Estes sempre importam, assim como a posição que ocupam. As posições dizem bem dos encontros e dos desencontros, em maior ou menor escala. Portanto, tudo depende das pessoas em si e das suas disponibilidades, ou melhor, de seus quereres mais profundos, indizíveis, isto é, desejo e pulsões! É falar ou calar, mas o impossível é não atuar. Cada qual tem sua história, visões, acha-se em redes múltiplas, possui jeitos, de sorte que é um verdadeiro milagre o desencontro; o encontro então... Um e outro unem, a seu modo, claro, mas unem, mesmo sem unificar! Gente. Gente que não se sabe até se posicionar daí.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Vá, cilada!

Somos nós próprios artífices, exímios e caprichosos, dedicados trabalhadores que manuseiam a triste organização de nossos decepcionantes fracassos, estrondosos erros, e retumbantes desvios, para não atestar, não menos importante e bem mais comum, de nossos momentos dolorosos de tangenciamento e mesmo paralisia! Engessados na ortopedia dum vai-num-vai que se eterniza a cada vez que ocorre, caímos na cilada vil que preparamos, incluindo os pobres e infelizes convidados a isso. Mas somos, por igual, os únicos aptos, capacitados a evitar e escapar de tais ciladas corrosivas, destruidoras. A tanto, muito esforço para reconstruir, ajustar, e pôr em ordem o que às avessas se encontrava. Melhor, claro, evitar a todo custo um infortúnio semelhante e bradar inda a tempo: vá! Vá, cilada!...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Mais adiante

Há coisas de que falar nos afeta tanto, e me afeta tanto..... Fazer aniversário sempre me diz, a cada ano, algo diferente. Por que às vezes sinto que vou me distanciando das pessoas e coisas? Não queria que fosse assim de modo algum! Algo vai marcando, pondo em evidência, deixando um rótulo. Mas busco reagir e superar o que percebo para ir mais adiante sempre, junto, perto, onde acho que devo estar, fazendo tudo o que quero e posso. Ah, meus amigos, não abro mão de resistir e de provar que não se tem que tolerar essa temporalidade imposta, irracional, hipócrita, e temerária, injusta, feita para reduzir o humano a algo produzido, a ser posto! Que infame traço o que se acumula nos ser jogado na cara de forma tão cruel e indigna. Outros virão, mais adiante!

domingo, 11 de maio de 2008

É a mãe!

Mãe. Dia das mães. Nasci num, só que 13... A importância da mãe é inquestionável! O que, então? Como diz uma pessoa muito linda e muito querida: "então..." (não é?). Então que há a questão da mãe querer ser boa demais, e da que nem está aí, interessada, da mãe pros outros, da que não quer ser mãe, da má-mãe até. Existe a mãe postiça, também dos árbitros de futebol e, é de crer-se, de muitos outros profissionais. Há a mãe santa, a mãe puta (cujo filho é o tal do filho da puta!), e nervosinhas, ternas, tão lindas, feinhas, gordas, magras, gostosas, baladeiras, pacatas, doentes e sãs. Todo mundo tem mãe, para o bem, para o mal! Toda menina é mãe potencial. E ademais há os homens mãe!!! A vida é mãe que acaricia e ralha; a morte, a que dá o derradeiro acalanto. É... é a mãe!

sábado, 10 de maio de 2008

"Historinha" (será lida?)

Um dia ele descobriu com espanto que, quando mais precisou deles, seus amigos haviam desaparecido como por encanto; as pessoas haviam evaporado! Ele não sabia se sonhava. Uma lágrima esclareceu tudo - era realidade o que percebia, o tal sumiço. Por que seria ele evitado? Sim, pois notou que alguns se esconderam dele. Não tinha noção; devia ser grave; ficou, além de profundamente triste, preocupado. Estaria doente? Virara fantasma? Não! Então o quê? Continuava a se sentir necessitado deles, decepcionado, no limite, num poço sem fundo... Seu lamento baixo produzia um eco surdo, um retorno vazio. A madrugada alta o embalou, mas generoso o sono antes tomá-lo, acalmando-o, lhe permitiu perdoá-los (os ama muito!), e escrever, disponível a eles, esta "historinha"...

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Po e sia 2

há dias em que só consigo nada
na mais expectativa que nutro
vazia sem-tido infladas ânsias
daquelas que acabam em demências
dos loucos de amor duma dor vã
a desejar sem desejar sempre
sem parar sob os impulsos todos
que nos fazem parecer uns pobres tolos
rindo do quê com os olhos marejados
enquanto dia-a-dia não se cumpre
a permitir que a mente torne sã
o dito o encontro o articulado
que faz ser hoje agora o amanhã